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07/10/2017

Antônio Beloti: um homem de bem e do bem!

Nessa vida basta ter honestidade e amor ao próximo

 

 



Da redação

Ser correto, honesto, respeitar o próximo, e que vale à pena ser do bem, é a sensação que fica depois que se conhece Antônio Beloti que facilmente é encontrado na Proval, loja que pertencia a seu filho Marcos e, onde ele ainda presta alguns serviços, e parece fazer parte do cenário.

Um professor da vida, indignado com as coisas erradas que estão acontecendo no país. Ele nos mostra que fazer o bem e ser do bem não é somente fazer a coisa certa ou ajudar algumas pessoas, mas antes de tudo ter ética moral.

O filho do carroceiro Francisco e da dona de casa Santa e irmão de Luiz, Terezinha, Alice, Regina, Maria Amélia e da saudosa Maria Aparecida, nasceu em Tabatinga, no dia 23 de julho de 1934.

Estudou no Grupo Escolar de Tabatinga e o menino logo cedo começou na lida. Com oito anos trabalhava em um clube torrando e moendo café. “Naquele tempo as mães procuravam algum tipo de serviço para que as crianças não ficassem na rua. Nem ganhavam nada, apesar de que no clube eu ganhava alguma coisinha”.

Com seus nove anos, Antônio trabalhava em uma marcenaria que ficava em pertinho de sua casa. O motivo era o mesmo: para não ficar na rua.

Aos dez anos seu padrinho, o saudoso alfaiate Antônio Geraldo (Toninho), o convidou para ser aprendiz de alfaiate. Aprendeu direitinho o ofício, pois aos 15 anos já era calceiro. Falando dessa maneira parece fácil, mas é uma profissão que é uma verdadeira arte.

Beloti volta um pouco na máquina do tempo e diz que os pais resolveram vir para Araraquara quando ele tinha 15 anos. Em Tabatinga não tinha meios de a família prosperar.

Quando veio de Tabatinga trabalhou de alfaiate durante seis anos com Lucílio Correa Leite, na Rua 6. “Nas proximidades morava o maestro Tescari. Lembro dele subindo à pé para o Conservatório, onde é hoje o Museu (MAPA). Tinha a Dona Helena, a Salomé, entre outros. E a Dona Helena entre 1944 e 1945 foi dar aulas em Tabatinga e foi a minha professora”.

Mudou no Carmo, na Rua 11, há 58 anos. E sua profissão de tradição e elegância, feita à mão, exerceu até 1962. Em Araraquara em 1955 estabeleceu seu próprio negócio, a Alfaiataria Beloti que ficava localizada na Avenida Sete de Setembro.

Depois da Alfaiataria Beloti teve uma loja de móveis, a Morada do Sol Móveis, na Rua 3 em frente onde hoje é o Extra, entre a Feijó e a Bonifácio. Hoje o lugar é uma grande loja de roupas.

Beloti durante esse tempo tinha um caminhão para fazer as entregas. Depois de quatro anos decidiu vender sua parte ao sócio. Logo em seguida entrou no DER, Departamento de Estradas de Rodagem. Foi chefe de seção de compras. Trabalhou no local até 2004 quando se aposentou aos 70 anos. “Fiquei quase 40 anos no DER”.

Beloti conta um episódio no DER com o saudoso amigo Renato Faustino que trabalhava na oficina. “Como fui alfaiate me pegaram para entregar uniforme. Sobrou um par de sapatos, mas do mesmo pé. Meio em tom de brincadeira disse ao Renato se ele conhecia alguém que tinha uma perna só. Ele perguntou que número era o sapato. Eu disse 40. Para resumir a história ele disse que servia para seu pai, o Sr. Francisco, que tinha uma perna só. Nunca mais me esqueci dessa história”.

Do bem

Questionado sobre as ações sociais que praticava ele conta que fez em Araraquara muitas feijoadas beneficentes, bem como em muitas outras cidades como Tabatinga, Américo e Dourado.

Perdeu a conta de com quantas entidades colaborou, mas ressalta algumas como o Lar Escola Redenção, onde também durante sete anos fez a festa italiana. Levou seu talento culinário para a Loja Maçônica, Rotary, entre outras.

Beloti não cobrava um tostão das entidades, inclusive comprando o material utilizado e pagando com dinheiro do próprio bolso para nunca dizerem que tinha tido alguma vantagem naquilo.

E ele conta que essa forma de ajudar sempre trouxe satisfação para sua vida, prazer em poder ajudar alguém.

Também foi tesoureiro da Gota de Leite quando o Dr. Lauand era presidente.

Ele conta que não é cozinheiro, mas sim metido a cozinhar. Fez Curso de Cristandade em 1969, onde aprendeu a cozinhar. Dali por diante foram mais de 40 anos promovendo feijoadas beneficentes. Chegou a fazer o prato para mais de 1.500 pessoas num único evento. “Era gostoso poder ajudar alguém”.

Política

Beloti conta que foi candidato a vereador. “Eu, o meu amigo e diretor d’O Imparcial, Paulo Silva, Zé Pizani, Arlindo Soares de Oliveira, erámos do Partido Democrata Cristão, mas acontece que o Arlindo havia morrido e ficou a vaga e o Paulo Silva me falou que eu iria ser candidato. Disse a ele que não entendia
de nada ele me disse que era só para preencher a vaga do partido. Perdi”.

Segundo ele, as grandes mudanças ocorreram na administração do Rômulo Lupo, mas também elogia Rubens Cruz, Medina, seu amigo De Santi.

Posteriormente do PDC, Beloti foi para a Arena e depois deixou definitivamente a política. Questionado sobre a razão pela qual deixou a política diz sem titubear e com plena convicção: nojo!

Família

Beloti é casado com Maria Aparecia Frigieri que conheceu na Igreja do Carmo. Ela Filha de Maria e ele Mariano. Casaram no dia 8 de dezembro de 1956. Tiveram os filhos: Sueli, o saudoso Marcos, Sérgio e Márcia. Tem 2 netos e 2 netas.

Questionado sobre o que viu na esposa ele brinca dizendo: pensei que ela fosse rica e questionada sobre o que a encantou Maria Aparecida rebate: dava para o gasto. E assim, depois de 61 anos o casal mantém o bom humor. Eles contam que de vez em quando até se ‘estranham’, mas logo passa e vão tocando o barco.

Beloti diz que ninguém é perfeito e a esposa Maria diz que ele tem o pavio curto, embora a cumplicidade seja aparente. “Isso só piora com a idade”, confessa ele.

Para ele, família significa união, tanto que ele cita como exemplo seu irmão Luiz, da conhecida Mercúrio, que sempre vem visitá-lo e que, infelizmente essa união é algo que falta hoje. “Amar o próximo. Hoje ninguém mais ama, só pensa em dinheiro, muita corrupção. Precisamos de políticos honestos. Hoje existe
muita desonestidade. Na Câmara Municipal os vereadores trabalhavam de graça. Não tinham salário. O Rômulo Lupo doava seu salário todo mês, sem falar para ninguém. Hoje todo mundo quer pegar uma boquinha para tirar proveito”.

Sem nostalgia

Sobre Tabatinga, a cidade natal, não tem saudade, pois conta que sofreram muito lá. “Naquele tempo só tinha rico, pobre e miserável. Na escola me lembro que todo mundo ia descalço. Só três iam de sapato: o filho do dentista, o filho do médico e o Ubiratan que ainda mora em Tabatinga. Se a gente pisava em um prego este dobrava, tão dura era a sola do pé”.

Como em Tabatinga não tinha cinema, quando um circo chegava na cidade ele comprava um saco de amendoim fiado no nome do seu pai que tinha crédito na cidade.Fazia papelotes com jornal para colocar o produto. E ia vender.

Certa vez, já no segundo dia vendeu tudo. Deu até para comprar um sapato chamado Anabela. “Naquele tempo eu sonhava em ter um desses sapatos, de borracha. Meu pai foi comigo comprar. Custou 105 mil réis. Ia na missa de sapato e voltava descalço para casa, pois doía o pé. Como é duro ser pobre”, ri ele, que acrescenta que um dos desejos era o de comer mortadela e nem sempre tinha dinheiro para comprar. Era difícil até para comprar pirulito e guaraná só final de ano. Não se tinha dinheiro para nada. Eu sei o que é ser pobre”, conta.

Uma de suas lembranças de menino é de quando a Segunda Guerra acabou. “Quando terminou a guerra pegaram um caixão de defunto lá em Tabatinga e saíram pelas ruas atirando pedras. Um italiano que tinha um bar foi um dos alvos dessas pedras. Estavam festejando a vitória”.

Araraquara

Beloti que recebeu o titulo de cidadão araraquarense, diz que Araraquara é tudo para ele e sua família. “Araraquara deu tudo para nós”.

Através de uma sugestão sua, a Avenida Mario Ibarra de Almeida foi aberta pelo prefeito Benedito de Oliveira e seu amigo Elias Damus.

“O seu legado maior é a honestidade e amor ao próximo. É isso que carrego. Para viver não é preciso roubar e nem tapear os outros”.

Sobre a morte do filho Marcos, a dor da perda existe, mas para ele Deus é como um pai que te dá a vida e ensina o caminho, agora o que se vai fazer nesse caminho é de responsabilidade de cada um. “Tudo que nós fazemos é de livre escolha. Livre arbítrio”, diz com os olhos marejados, mas com a convicção de quem já aprendeu muito da via.

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