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19/04/2017

Família de refugiados sírios inicia vida nova em Araraquara

A família está na cidade há cerca de três anos e meio

 

 


Recomeçar. É a palavra de ordem para os mais de 2 mil refugiados sírios que vivem hoje no Brasil – segundo dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), em abril do ano passado havia 8.731 refugiados de 79 nacionalidades diferentes, sendo 2.252 sírios. Araraquara também está entre as cidades que acolheram algumas dessas pessoas que partiram para terras distantes em busca do tão almejado recomeço, como conta a família Akoghlanian, que visitou o gabinete da vereadora Thainara Faria (PT) na última quarta-feira (12).

A família, composta pelo casal Raffi e Silva e pelos filhos Awadis e Sali, está na cidade há cerca de três anos e meio. Durante esse período, contou sempre com o apoio da Igreja Presbiteriana, que auxiliou todo o processo de refúgio e adaptação no país. “Temos dado toda a ajuda que podemos, mas há elementos que dependem do Estado, vão além das nossas possibilidades”, observa Antonio Sorbara Jr., que acompanhou a família na visita, juntamente com Jorge Barrientos Parra e Iloni Barrientos, todos membros da congregação religiosa. “Não se trata de assistencialismo. A ideia é encontrar meios legítimos para eles obterem seu sustento”, completa.

Nos anos araraquarenses, o senhor Raffi já trabalhou em uma pizzaria. “Mas ele teve muitas dificuldades com o idioma”, lembra o filho Awadis, de 26 anos, que não poupa esforços para ajudar a família. O jovem Awadis trabalhou em um supermercado e depois passou para um hotel, primeiro no restaurante e, atualmente, na recepção, onde pode usar a língua inglesa, que domina. A irmã Sali, de 27 anos, trabalha em um laboratório de análises clínicas e ajuda a mãe a preparar doces e salgados sírios. Aliás, é nesse talento especial da senhora Silva que a família está apostando para reestruturar a vida profissional e financeira.

“Já passamos pela fase mais difícil, quando não sabíamos a língua, então não conseguíamos conversar, pedir informações, ou ler placas de ruas”, conta Awadis. “Mas meu pai não conseguiu outro trabalho e ainda estamos nos adaptando, falta muita coisa para sermos independentes. Queremos realmente construir uma vida nova aqui”, acrescenta. A família gostaria de abrir um restaurante de especialidades sírias, de modo a se sustentar utilizando seus próprios recursos.

Thainara dispôs-se a se informar a respeito de projetos governamentais de microcrédito voltados aos refugiados. “Pesquisarei em todas as esferas – municipal, estadual e federal –, a fim de lhes dar uma resposta objetiva com a maior celeridade possível”, adianta a parlamentar. “Eles têm o direito a uma vida digna e ao respeito à sua cultura. É uma questão de cidadania. Podem contar com todo o meu apoio.”

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