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12/03/2017

João Batista da Silva: o homem que vai reabrir a Beneficência

“Ainda não somos oficialmente os novos responsáveis pelo hospital, mas posso afirmar que dificilmente esse negócio não ocorra”


Célia Pires

A cidade de Araraquara vinha vivendo momentos de indignação quando o tradicional hospital Beneficência Portuguesa simplesmente fechou suas portas. Muita coisa foi dita, algumas sugestões foram feitas, mas o terreno pantanoso parecia não deixar que se chegasse a uma solução. Ex-funcionários desesperados, muitos desesperançados e quase desacreditados de que algo de positivo ocorresse, pois até o leilão que poderia resolver o grande problema não teve interessados.

Mas no meio dessa celeuma toda, um homem estava remando em rio seco, mesmo assim, não desistiu e hoje ele vem à público e confessa que depois de muita luta e dedicação, pode afirmar que estão quase lá, mas que ainda há algumas coisas para serem resolvidas entre o grupo Gestal e a atual direção. Ele ressalta que a perspectiva é que devem assumir no dia 16 de março, mas que ainda tem que aguardar a assembleia para oficializar o negócio.

“Ainda não somos oficialmente os novos responsáveis pelo hospital, mas posso afirmar que dificilmente esse negócio não ocorra”. A declaração é de João Batista da Silva, 49, o homem que rema contra a maré e pode ficar na história da cidade como o homem que conseguiu reabrir o Hospital Beneficência Portuguesa.

Joãozinho, como também é carinhosamente chamado, ressalta que viveu momentos muito difíceis por querer ajudar a reabrir o hospital cujo interesse surgiu depois de conhecer o trabalho e projeto do oftalmologista Dr. Cardillo, quando atuava como consultor do senador Raupp, em Rondônia. “Entendo que é fundamental que o hospital reabra para que o Dr. Cardillo possa atender pelo SUS”.

O empresário conta que mesmo tendo em mente a importância de se reabrir o hospital, enfrentou enormes dificuldades e sem nenhum tipo de apoio político ou financeiro teve que combater pessoas que tentaram denegrir a sua imagem perante a sociedade, o chamando de picareta e mentiroso, até ameaçando processá-lo caso continuasse com seu projeto. Seguiu com a colaboração de pessoas que acreditam na reabertura do hospital. Rodou muito buscando investidores até encontrar o grupo Gestal que vai investir na reabertura do hospital, embora João diga que ainda não são os responsáveis pelo lugar até que passem pela assembleia que acontece na próxima quarta-feira (15).

E por falar em projetos, ele foi gestor da Bioverde em Sorocaba; consultor da Rueppe Space de Campinas na área de produção de etanol a partir de amilacidos e tubérculos. È um dos responsáveis pelo projeto de biodiesel da Uniara. Também profere palestras sobre esses referidos assuntos. Também é músico, vocalista. “Eu toco e canto. Na reinauguração da Beneficência quero fazer um show”, promete ele.

Quem é João

João Batista da Silva é um cara que tem orgulho de ser cearense e que foi chamado de louco, por querer reabrir um hospital.

Ele nasceu em Inhuçu, São Benedito, no Ceará, no dia 4 de junho de 1967. É o quarto filho de nove irmãos. É filho do saudoso Francisco Lucas da Silva e de Francisca Ferreira da Silva. Tem como irmãos: Francisco Sales (Salim): Francisco Mamedes (Mamedes), Maria Célia, Maria Zeneide, Maria Salete, Maria Eliete, Magda Socorro e Luzinete da Silva.

É casado há 20 anos com Fernanda Teixeira. O casal não tem filhos.

Vambora

Voltando um pouco na cronologia, João Batista se recorda que muitas vezes seu pai chegava cansado, desgostoso, porque o trabalho só dava pra comida. Não tinha outra coisa. Não tinha luxo ou uma coberta. O colchão e o travesseiro eram feitos de palha de milho, casa de madeira, e meu pai às vezes desanimava e dizia: vambora! Juntava tudo, deixava a casa, pois não tinha móveis, apenas algumas prateleiras feitas de madeira, com algumas panelas, com aquelas coisas penduradas.

Meu pai falava “ abandona tudo isso, vamos embora e do nado, no dia seguinte, juntava todos nós em cima de uma caminhonete de um amigo que a gente nem sabe como ele arrumava. Isso acontecia de madrugada, de manhã, no meio do dia. A primeira cidade que ele apreciava dizia ‘para ai’. Encontrava qualquer hotel e eu não sei como ele tinha essa facilidade para fazer essas coisas. Até hoje acho isso complicado.

Descarregava aquelas coisas na porta do hotel e entrava todo mundo num quarto só. Ai ele saia de manhã e ia buscar uma oportunidade. Fizemos isso em Assis Chateaubriand, Alto Piqueri, Louanda. Meu pai sempre se virava. Se eu disser que a gente passou fome estaria mentindo. Nunca passamos fome na nossa vida. Lógico que não tinha luxo, era o básico, mas fome nunca. Por isso mau caratismo na minha família não tem.

Então, berço foi muito importante. Meu pai faleceu no dia 21 de junho de 2000 e a gente até o fim sempre o chamou de senhor. Se ele dissesse João vem cá e se você respondesse o que é? Ele dava no meio da cara e dizia que com o pai deveríamos chama-lo de senhor. Naquele tempo a gente achava aquilo um pouco radical, mas hoje eu agradeço. Isso era educação de gente séria, de pai. Ele era um cearense ‘arretado’. Sempre falou em educação e exigia que a gente lesse alguma coisas”.

Araraquara

Saíram do Ceará em 1968, quando o pai foi convidado por um fazendeiro que conheceu em Fortaleza para trabalhar no Paraná. "Eu e meu pai fomos trabalhar na roça". Ele, que começou a trabalhar aos 7 anos de idade na roça, conta que foi uma época muito difícil. "Meu pai trabalhava para fazendeiros, como por exemplo, plantar e colher soja e café.

Trabalhamos muito tempo na região de Umuarama, Alto Piqueri, Querência do Norte e Santa Cruz do Monte Castelo. Meu primeiro ano de escola foi em uma cidade chamada Icatu. Posteriormente fomos para Brasilândia do Sul. A família se mudou para Araraquara em 19 de novembro de 1979. Dia da Bandeira. Um bom sinal! Chegar a Araraquara foi assustador”.

Desceram na antiga rodoviária que ficava localizada onde é hoje o Terminal de Integração. Eram seis sacos de estopa contendo algumas panelas, aquelas malas difíceis de carregar, com pouquíssima roupa, principalmente porque o vestuário era escasso. Saíram a pé.

“Eu me lembro como se fosse hoje, era a Viação Jauense, pois meu pai havia alugado de um amigo uma perua Kombi e com esse amigo dirigindo fomos de Brasilândia do Sul até Londrina e de lá um ônibus da empresa Jauense, com escala em Bauru e de lá para Araraquara. Fomos para casa de um amigo de meu pai, o Germano. Lembro que todos nós dormimos no chão”.

Primeiro bairro que moraram foi no Parque das Laranjeiras. Meu pai foi buscar emprego para nós. Meu irmão mais velho trabalhou na marmoraria Manini, eu fui trabalhar numa mercearia de um cara chamado Euclides. Depois trabalhei no Empório São João, na Avenida Bandeirantes, do senhor João Vilchensky, um polonês. Posteriormente fui ser guarda mirim, na Gráfica Globo, o que me enriqueceu muito.

Aos 17 anos trabalhou de pacoteiro, no Sé Supermercado e aos 18 passou em um concurso e foi trabalhar na Serasa. Nessa mesma época começou a fazer economia, mas não terminou o curso.
Depois de algum tempo pediu demissão da Serasa e montou uma distribuidora de óculos tendo como sócio, Renato Cardilli, sócio e cunhado por algum tempo. Mas com a entrada dos chineses no mercado oferecendo óculos mais baratos, o negócio enfraqueceu.

Depois disso, montou a Bioexx, uma empresa de inovação tecnológica com um grupo de pesquisadores da Unesp. A função da Bioexx era transferir a tecnologia das universidades para o setor privado em várias áreas como mineração, petróleo e gás, meio ambiente, biocombustíveis, biopolímeros, entre outros. “Além do Centro de Escalonamento Tecnológico, tenho ainda os Projetos Aromas, que desenvolve o cultivo de plantas aromáticas para produção de óleos essenciais e o Via Urbana, projeto voltado aos catadores de resíduos sólidos”.

Política

Foi candidato a vereador na última eleição pelo Partido Progressista. Teve 382 votos. Não foi eleito. Tem recebido muitos convites para mudança de partido e também para sair candidato a deputado federal.
Hoje, ele diz que foi até bom não ter sido eleito, pois com essa nova estrutura que montou iria tirar um pouco o foco da Beneficência Portuguesa e ele não poderia trabalhar com tanto afinco e determinação.

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